"O homem é diretamente um ser da natureza. Como ser natural e enquanto ser natural vivo é, por um lado, dotado de poderes e faculdades naturais, que nele existem como tendências e capacidades, como pulsões. Por outro lado, enquanto ser natural, corpóreo, sensível, objetivo, é um ser que sofre, condicionado e limitado, tal como o animal e a planta, quer dizer, os objetos das suas pulsões existem fora dele, como objetos independentes, e, no entanto, tais objetos são objetos das suas necessidades, objetos essenciais, indispensáveis ao exercí­cio e à confirmação das suas faculdades. [...] Ser sensí­vel é sofrer." (MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2001. pp. 182-183.)

5 de set de 2007

De verdade

Houve um tempo em que eu imaginava. Um tempo de dor, de sofrimento, em que eu imaginava. Gostava um pouco de alguém, e logo já ia imaginando como gostaria que fosse com essa pessoa, e vivia do que imaginava. Era um tempo de sofrimento. Sofria porque, imaginando, estava muito longe da realidade, de quem eram essas pessoas, do que poderia acontecer com elas.
Mudei. Hoje não imagino mais. Hoje não preciso mais imaginar. Hoje a realidade superou em muito a imaginação. A realidade é muito melhor do que eu poderia imaginar.
Hoje há uma pessoa em minha vida. Uma pessoa de verdade. Vanessa Dalalibera Silveira. Conhecemo-nos, e logo nos gostamos, e logo estávamos namorando. E vimos como somos feitos um para o outro. De verdade. Sem imaginar.
Não, não preciso mais imaginar, nem escrever. Não, não preciso escrever. Não preciso escrever porque escrevi muito, e escrevi sobre o que pensava querer. Sobre o que imaginava pudesse acontecer. Hoje, há a realidade. Muito melhor do que qualquer poema. Muito, muito melhor. Há uma realidade que nem nos melhores devaneios pude imaginar. Que nem em sonho se viu.
Hoje eu amo. Amo mesmo. Não amo uma pessoa imaginada, amo uma pessoa de verdade. Uma pessoa como jamais pude imaginar. Uma pessoa que supera em muito qualquer sonho que pudesse ter tido nas melhores noites de sono.
Hoje há uma pessoa que me faz feliz. Uma pessoa que me faz chorar. Uma pessoa que me faz deixar de comer. Uma pessoa que me faz ver. Uma pessoa que me faz ver a pessoa boa que é. Sim, a Vanessa me faz ser assim como sou hoje. Hoje sou feliz. Hoje sou uma pessoa que ama de verdade, e uma pessoa que finalmente sabe o que é amar. Uma pessoa que ama uma pessoa. Uma pessoa que ama uma pessoa de verdade. Uma pessoa que ama uma pessoa linda, de corpo e de alma.
Amo a Vanessa. Amo ela. Hoje não quero nem posso imaginar. Não posso imaginar como seria a vida sem ela. Hoje não preciso imaginar. Há uma pessoa de verdade em minha vida. Há a Vanessa, o meu amor. Há somente ela.

18 de abr de 2007

Em memória - V parte

Após um interregno por problemas de conexão e tempo, continuo a publicação do poema pascal Em memória.
Partes já publicadas: I, II, III, IV

V

Eis que um dos doze
Por trinta moedas o vendeu
Mas era chegada a festa
Onde prepararemos a festa?
Encontrareis um homem
Onde está o aposento?
Este é meu corpo
Este é meu sangue
Derramado por muitos

O que me trai está comigo à mesa
(Ai dele!)
Quem será? Serei eu?
Um de nós certamente é maior
(Ai dele!)
Quem será? Serei eu?
(Melhor não houvesse nascido)
Não sejais como os que governam
Comei e bebei à minha mesa no meu reino

Vós por minha causa vos escandalizareis
Tu que és pedra me negará
Eu? Jamais!
Vigiai
Afasta de mim este cálice, Pai!
Afasta de mim se possível
Mas que seja como queres
Não podeis vigiar uma hora?
Rabi, Rabi, te beijo

6 de abr de 2007

Em memória - IV parte

Partes anteriores: I, II, III

IV

Ai de vós, escribas e fariseus
Ai de vós hipócritas
Amam os primeiros lugares
As principais cadeiras, as saudações
Ai de vós escribas e fariseus
Ai de vos hipócritas
Jerusalém, Jerusalém que matas os profetas
E matas os enviados
Quantas vezes quis ajuntar teus filhos

Mestre, vê o templo
Não ficará pedra sobre pedra
Mestre, quando será o dia?
Vereis guerras, vereis falsos
Mas ainda não será o fim
Vereis dor
O sol escurecerá e a lua não luzirá
Virá então o Filho do homem
Nas nuvens, com poder e glória

Olhai, vigiai e orai
Enviará seus anjos e ajuntará os escolhidos
Vigiai, que não sabeis o tempo
E no jantar veio mulher
Trazendo vaso com ungüento
Derramou-o sobre a cabeça de Jesus
Para que esse desperdício de ungüento?
Por que molestais quem me faz boa obra?
A mim nem sempre me tendes

Em memória - III Parte

Partes anteriores: I, II

III

Enviarei meu filho
Certo homem plantou vinha
Arrendou a lavradores
Mandou um servo
Surraram-no
Mandou um servo
Surraram-no
Mandarei meu filho amado
Mataram-no

Cairá sobre nossa cabeça
Não podemos lançar mão
Sabemos que fala o que é certo
É certo dar tributo a César?
Por que me tentais?
Está escrito que é de César
Então a César dai
Estivesse escrito que é de Deus
Désseis a Deus o que é d'Ele

Há na lei a lei maior
Qual é a maior lei?
Ama o Senhor teu Deus
Ama o teu próximo
O segundo e o primeiro
Ama a Deus
O coração, a alma, o pensamento
Ama teu próximo
Como a ti mesmo