26 de mai de 2005

Mais um poeta, mais um defunto

Fazia eu um poema
a caminho do cadafalso
para então cumprir a pena
de morte natural na forca.

Era aquele um poema
de dor, prisão e luta.
Não havia nele um poeta,
apenas havia a pena.

Mas disse o juiz de fora:
Prendam-no!
– Já está preso.
Matem-no!
– Já está morto.

Era verdade, pois havia
muito antes me suicidado.
Aquela era apenas
a compleção do derradeiro ato.

Muito antes escrevera um poema
de angústia, morte e dor,
mas não estava no poema,
era apenas um fingidor.

20 de mai de 2005

Aos heróis do Araguaia - III

Finalmente a última parte deste poema.

III
Catarse

Hoje sabemos todos:
a luz não se apaga!
Só há sombra
se há luz a brilhar.

Hoje homens e mulheres,
antigos homens e mulheres,
novos homens e mulheres,
ainda ousam iluminar.

Hoje sabemos todos
que a luz não se poderá derrotar.
As trevas ainda tentarão,
mas a luz irá brilhar.

Ainda se tentará,
mas a luz não irá se apagar.
Ousados, ousemos!
Um dia, a luz triunfará!

12 de mai de 2005

Aos heróis do Araguaia - II

Esta é a continuação do poema Aos heróis do Araguaia, cuja publicação foi iniciada semana passada e terminará semana que vem.

Abraços,
Leandro

II
Tragédia

Uma duas três,
por três vezes o não
se abateu sobre aqueles que ousavam,
duas vezes o derrotaram.

Homens e mulheres sabiam
poder contar com homens e mulheres que ousavam,
o Brasil se encontrou no Araguaia,
Araguaia, homens e mulheres eram um.

Mas uma duas três,
na terceira vez o não venceu.
Então a luz da ousadia
que ousava nas trevas do não enfraqueceu.

Mas o não não queria
luz fraca, luz alguma,
e tentou exterminar
ousados, ousadia, réstia de luz.

6 de mai de 2005

Aos heróis do Araguaia - I

Dia 12 de abril comemoraram-se os 33 anos do início das operações militares no Araguaia, data normalmente tida como aniversário da guerrilha que leva o nome deste rio. Em homenagem aos guerrilheiros, publico nesta e nas próximas duas semanas este poema em três cantos.


Aos heróis do Araguaia

I
Exórdio

Um dia um grupo
de homens e mulheres valorozos
juntou-se e disse:
Aqui não será assim!

Naqueles dias falavam não
a todos que ousassem,
mas aqueles homens e mulheres sabiam
precisar ousar.

Então o não se abateu
sobre todos, homens e mulheres,
que ousaram ousar e foram
duramente perseguidos e castigados.