"O homem é diretamente um ser da natureza. Como ser natural e enquanto ser natural vivo é, por um lado, dotado de poderes e faculdades naturais, que nele existem como tendências e capacidades, como pulsões. Por outro lado, enquanto ser natural, corpóreo, sensível, objetivo, é um ser que sofre, condicionado e limitado, tal como o animal e a planta, quer dizer, os objetos das suas pulsões existem fora dele, como objetos independentes, e, no entanto, tais objetos são objetos das suas necessidades, objetos essenciais, indispensáveis ao exercí­cio e à confirmação das suas faculdades. [...] Ser sensí­vel é sofrer." (MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2001. pp. 182-183.)

26/05/2005

Mais um poeta, mais um defunto

Fazia eu um poema
a caminho do cadafalso
para então cumprir a pena
de morte natural na forca.

Era aquele um poema
de dor, prisão e luta.
Não havia nele um poeta,
apenas havia a pena.

Mas disse o juiz de fora:
Prendam-no!
– Já está preso.
Matem-no!
– Já está morto.

Era verdade, pois havia
muito antes me suicidado.
Aquela era apenas
a compleção do derradeiro ato.

Muito antes escrevera um poema
de angústia, morte e dor,
mas não estava no poema,
era apenas um fingidor.

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