3 de abr. de 2007

Em memória - II parte

Parte anterior: I parte

II

Entra Jesus no templo
Entra Jesus
E expulsa todos que vendem
E compram no templo
A minha casa será chamada
Casa de oração
Casa de oração
Mas vós a tendes convertido
Em covil de ladrão

Senti a ira do Filho de Davi
Hosana ao Filho de Davi!
Curou os cegos e os coxos no templo
Os cegos e os coxos curou
Ouves o que lhe dizem?
Das bocas dos meninos
E das criancinhas de peito
Tiraste o perfeito louvor
Hosana ao Filho de Davi!

Ensina Jesus no templo
Perguntaram sacerdotes e anciãos
Com que autoridade?
Quem te deu autoridade?
Também vos perguntarei
O batismo de João de onde era?
Se do céu, por que não cremos?
Se dos homens, então tememos
Não sabemos

2 de abr. de 2007

Em memória

Começo hoje a publicação deste poema pascal em várias partes.

Em memória

I

Chegamos perto de Betfagé e de Betânia
Chegamos perto
Do monte das Oliveiras chegamos perto
Trazei a mim um jumentinho
Trazei ao Senhor
O Senhor o quer
Soltamos o jumentinho
Levamos ao Senhor
O Senhor o quer

Entra o Senhor na Cidade
Entra o Servo-Rei
Entra o Senhor na Cidade
Estendemos nossos vestidos
Pelo seu caminho
Bendito o Rei
Que vem em nome do Senhor!
Paz no céu, paz no céu!
Glória a Deus!

Repreende, ó Mestre
Repreende teus discípulos
Se estes se calam, as pedras clamam
As pedras clamam
Chora por ela o Mestre
Chora pela Cidade
Se ela conhecesse a paz que lhe pertence
Derribarão a ti e a teus filhos
Não deixarão pedra sobre pedra

23 de fev. de 2007

João Pedro

João Pedro era apenas um trabalhador. Nas ligas camponesas, nas cidades, entre os trabalhadores de ontem e de hoje, João Pedro era apenas um trabalhador.

João Pedro
aos que tombaram

João Pedro era apenas um trabalhador
E toda noite voltava
No ônibus lotado para casa
Toda noite o mesmo ponto
Toda noite um pouco tonto

João Pedro era apenas um trabalhador
E toda noite sorria
Para sua esposa e sua filha
Toda noite a covardia
Toda noite a agonia

João Pedro era apenas um trabalhador
E toda noite voltava suado
Com comida e algum trocado
Toda noite a ironia
Toda noite a tirania

João Pedro era apenas um trabalhador
E toda noite vivia
Até que uma noite acordou

João Pedro era apenas um trabalhador
E toda noite então queria
Acabar com miséria e covardia
Toda noite então lutou
Toda noite não findou

João Pedro fora apenas um trabalhador
E toda noite sonhara
Mas a ordem não aceitara
Toda noite ele lutou
Toda noite não findou

2 de fev. de 2007

Erro a dois

Certa vez escrevi uma estrofe e julguei ser minha melhor estrofe. Falava de erro, de coisas que faço, de coração sem espaço. Julguei mesmo ser minha melhor estrofe, e parecia uma estrofe inigualável. Ela pedia um soneto, mas nenhuma estrofe minha poderia ser igual àquela, nem chegaria perto de seu nível.
Realmente, nenhuma estrofe minha chegou perto do nível daquela, mas eis que surgiu a prima Cecilia e se ofereceu para ajudar. Então aquela estrofe que julgava não apenas ser minha melhor, mas ser também só minha, de tanto que eu havia me apegado a ela, ganhou companheiras, e a quatro mãos surgiu um soneto, meu melhor soneto para minha melhor estrofe, mas o soneto não é só meu. Sem a prima não poderia tê-lo escrito. Coisas que faço com Cecilia Peretti.

Coisas que faço

Depois do erro feito
Digo que são coisas que faço
De coração que não tem espaço
Para bater no próprio peito

Soltas as palavras ao vento
Eu mesmo em seguida me contesto
E se no mesmo instante me detesto
No minuto seguinte me lamento

Ah, aríete tresloucado
Contra meu peito arremessado
Em frenético descompasso

Se digo, me deixo e faço
Dos meus sentimentos o laço
Com que me quedo apaixonado