"O homem é diretamente um ser da natureza. Como ser natural e enquanto ser natural vivo é, por um lado, dotado de poderes e faculdades naturais, que nele existem como tendências e capacidades, como pulsões. Por outro lado, enquanto ser natural, corpóreo, sensível, objetivo, é um ser que sofre, condicionado e limitado, tal como o animal e a planta, quer dizer, os objetos das suas pulsões existem fora dele, como objetos independentes, e, no entanto, tais objetos são objetos das suas necessidades, objetos essenciais, indispensáveis ao exercí­cio e à confirmação das suas faculdades. [...] Ser sensí­vel é sofrer." (MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2001. pp. 182-183.)

27/04/2006

Nadejda

Aqui vai mais uma parte deste poema chamado Nadejda. Pela ordem, as demais partes já publicadas são estas: I, II, IV (esta parte é a terceira). Como deve ficar claro pelo conjunto, esta ordem é apenas das que já foram publicadas.

Nadejda

Soube porém um certo dia
De um novo ar que surgia
Ainda suave brisa
Em breve chuva de verão

Vi então a flor de um novo tempo
E com ela os raios do sol
Tingiram de dourado o antigo céu
Que já não podia subsistir

A vida era uma promessa
E prometia brilhar
E já fazia luzir
A luz que sepultaria a noite

A treva então tremeu
E quis o dia sufocar
E quis a esperança soterrar
E embruteceu

Contra aquela que nascia
Surgiu cada vez mais intensa
A treva pondo medo
O medo sufocando a gente

A gente porém já tinha visto
A breve cor da aurora
A suave luz do novo tempo
Se instalara em seu coração

Não havia mais tempo para a morte
Não havia mais esconderijo para a dor
Não havia mais suportar separação
Não havia mais calar na solidão

A pouca luz que se entrevira
Antes que as nuvens do terror a encobrissem
Já havia semeado sua semente
Já raiava o dia dessa gente

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