"O homem é diretamente um ser da natureza. Como ser natural e enquanto ser natural vivo é, por um lado, dotado de poderes e faculdades naturais, que nele existem como tendências e capacidades, como pulsões. Por outro lado, enquanto ser natural, corpóreo, sensível, objetivo, é um ser que sofre, condicionado e limitado, tal como o animal e a planta, quer dizer, os objetos das suas pulsões existem fora dele, como objetos independentes, e, no entanto, tais objetos são objetos das suas necessidades, objetos essenciais, indispensáveis ao exercí­cio e à confirmação das suas faculdades. [...] Ser sensí­vel é sofrer." (MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2001. pp. 182-183.)

23/04/2005

Clown

Um dia o espetáculo será do povo.

Clown

Clown.
Chorava tristonho sozinho,
sozinho não existia.
Feito palhaço fora do palco
chorava
Chorava porque não podia existir.

Mas o circo foi se enchendo,
a despeito do aviso de senhores empolados
- e donas e cachorros
o circo foi se enchendo.

O povo acorria,
a multidão preenchia
cada espaço até não poder mais.
E quando não havia mais platéia,
o povo todo foi à coxia
juntar-se ao clown
- e ser clown.

Quando não mais havia
senhores e donas e cachorros,
todos foram ao palco
- todos palhaços felizes no palco
e dizem que este espetáculo não mais acabará.

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