"O homem é diretamente um ser da natureza. Como ser natural e enquanto ser natural vivo é, por um lado, dotado de poderes e faculdades naturais, que nele existem como tendências e capacidades, como pulsões. Por outro lado, enquanto ser natural, corpóreo, sensível, objetivo, é um ser que sofre, condicionado e limitado, tal como o animal e a planta, quer dizer, os objetos das suas pulsões existem fora dele, como objetos independentes, e, no entanto, tais objetos são objetos das suas necessidades, objetos essenciais, indispensáveis ao exercí­cio e à confirmação das suas faculdades. [...] Ser sensí­vel é sofrer." (MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2001. pp. 182-183.)

13/03/2005

Choro

Pablo Neruda foi um grande poeta e um grande comunista. Ensinou-me certa-vez que não acabo em mim. Disse assim em seu poema A meu Partido: "Me has hecho indestructible porque contigo no termino en mí mismo". Fizeste-me indestrutível porque contigo não termino em mim mesmo. Esse é o lema de quem busca mudanças. Esse é o lema de quem sabe que a sociedade não se transforma sem luta, e sem homens e mulheres organizados para a mudança. A luta pela mudança radical da sociedade passa pela luta de vários homens e mulheres determinados a dedicarem suas vidas à causa de muitos. É essa a minha luta. E, sem que esteja completa, a injustiça e a opressão, a exploração do homem pelo homem me machucará.

Choro

O céu nublado de Curitiba mais uma vez me entristece.
Eu choro.
Por tudo e por todos,
mais uma vez hoje eu choro.

Um dia li Neruda e aprendi
que eu não acabo em mim.
Um dia eu vi
que tudo à minha volta me completa.
E hoje tudo à minha volta me machuca.

Se a inércia dos dias
que sempre me separam
da minha plenitude
não acaba e não permite
que a luta que outros lutaram
em mim se complete,
mais uma vez
o céu nublado de Curitiba me entristece
e então eu choro.

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